Celebre e agradeça a vida como grande bênção...

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Deus ilumine o Brasil e o mundo, em nome de Jesus Cristo! Amém!

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Parabéns, Srs. juizes...Continuem assim. Cuspam bastante na cara do povo...Ignorem bastante o sofrimento do povo saqueado e, depois, acertem as suas contas com o Universo: vocês e seus\suas comparsas em roubar a população. Mas, não se enganem: o Universo, a seu tempo, fará a justiça prevalecer...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

PAI E MÃE: OS PRIMEIROS FICANTES DOS FILHOS/AS ATUAIS


Valéria Giglio Ferreira - psicóloga
        
          A psicologia vem pontuando que nos relacionamentos humanos adultos existe uma tendência em reproduzir - pelo menos num primeiro momento - os modelos relacionais aprendidos na infância:: quer seja o modelo de casamento de pai e mãe um com o outro, quer seja o da relação deles com a pessoa em questão.
          Considerando esta premissa como verdadeira, torna-se bem compreensível o atual surgimento da geração de "adolescentes e adultos ficantes".












          É que com as mudanças nas dinâmicas conjugais e familiares do patriarcado para o modelo contemporâneo e a consequentemente saída das mães para o mercado de trabalho - os pais já estando nele há algum tempo - restou saber com quem "ficariam" os filhos/as destas gerações. E esta é uma questão corriqueiramente feita para mães que trabalham fora: "- Ah! você trabalha! E...com quem  eles ficam??? "

             E isto costuma ser dramático para mães de crianças pequenas: com quem deixar suas criam após a licença maternidade??? Não quero dizer com isto que  a responsabilidade de resolver a questão seja somente da mãe. Me refiro aqui à pauta de com quem ficam os filhos da modernidade para que seus pais trabalhem. 

          E aí começam a surgir as respostas de com quem ficam as crianças do mundo de hoje : "Ah...ficam na escolinha, ficam com os avós, ficam com a babá, ficam com os tios, ficam com a vizinha, ficam com irmãos mais velhos, ficam com a fulana, ficam, ficam, ficam..."

         Se o casal se separou, a pergunta não difere: " Ah...e...com quem eles ficaram? Com o pai, com a mãe, com quem?"

        E as respostas, em geral, são: "...ficam um pouco com cada um, um pouco em cada casa, ficam prá lá e ficam prá cá..."

        E assim, as crianças "ficam" com todo mundo e com ninguém. Nascem aí as relações de "ficar": rápidas e, às vezes, muito efêmeras.

        Crianças frutos das relações deste prá lá e prá cá podem estar indo para a vida adulta achando que "ficar" seja o normal entre os humanos. Vão aprendendo sem perceber e aos poucos as relações entre seres ficantes. Crescem e reproduzem em sua vida adulta que aprenderam na infância: ficar em vez de estabelecer vínculos estáveis. Então exatamente como viveram sua infância, passam a ficar! Ficar com o/a paquera, ficar no lugar de namorar, ficar no lugar de casar, ficar sem ficar. Ficar como quem a qualquer momento pode partir...sem compromisso e sem culpa, afinal, é o que viveram desde pequeninas - ir ficando com quem desse para ficar com elas de acordo com o momento, com a oportunidade, com a situação e com a hora. 
 
        O curioso é que estas relações de ficar são, na verdade, relações de partir; e partir sem culpa, sem compromisso, frequentemente sem satisfação, sem vinculação, sem aprofundamento. Vasos de terra rasa com pouco espaço para o enraizamento da planta afetiva é o que se tornam muitas das relações entre ficantes. Sem cobranças e sem profundidade. Apenas com o prazer fugaz de ter tido o mínimo de atenção disponibilizado pelo outro: quase um quebra galho afetivo.

        E o que costuma mesmo ficar dessas relações é uma grande fome de amor e um grande vazio. Daí o enorme número atual de adeptos ao uso de drogas - tentativas de preenchimento deixado por um mundo afetivamente frustrante para toda uma geração de filhos\as que de certa forma são, ainda em tenra idade, ficantes de seus pais e mães; ou seja, que só os veem rapidamente e quando dá tempo.

      E o que fica deste modo apressado e ficante de viver a vida  é sobretudo a sensação de liquidez presente na maioria das relações interpessoais contemporâneas; de desrespeito pelo sentimento e pela tendência humana de se deixar afetar e envolver no encontro com o outro.

       E assim, entre um ficar prá lá e um ficar para cá esta geração vai aprendendo como estabelecer relações superficiais: sem compromisso e sem a perspectiva de continuidade. Relações sem renúncias, sem priorização, mas, também sem prazer e sem consistência.

       Mas, vincular-se e estar mais disponível para os filhos\as requer um trabalho pessoal de cada pai e de cada mãe e o preço de lidar com as dilemáticas relacionais, de fazer escolhas, renúncias, colocar-se vulnerável, de enfrentar o mundo familiar e doméstico - o qual muitos consideram perda de tempo e chatice.

    Entretanto, no "ficar doméstico" não se precisa lidar com o rame-rame das relações conjugais e familiares. Muitos pais e mães justificam que estariam mais presentes se pudessem, que se ausentam tanto porque precisam trabalhar. Sim, precisamos. Mas...não será também porque é mais fácil lidar com o trabalho do que com a rotina da casa? Serão mesmo necessárias tantas horas fora do lar???
         
       E não vai nisto nenhuma acusação aos pais e mães que - como eu - trabalham fora e estão sempre ocupados - mas, um alerta para pensarmos para onde estamos caminhando com nossas escolhas e quais os impactos delas sobre a vida relacional de nossas filhos\as; que modelo de relacionamento estaríamos - sem querer - ensinando-lhes através do nosso modo de nos relacionarmos com eles.

              Ao argumento de que trabalham para trazer o dinheiro para dentro de casa e comprar presentes, é preciso contrapor a realidade de que - os filhos\as sempre preferem e precisam mais - de pai e mãe presentes do que dos presentes de pai e mãe.   

        Então, a questão é que ao escolherem o trabalho, o dinheiro, o seu prazer pessoal e o seu sucesso, pais e mães atuais estão - sem quererem de fato e sem terem consciência das duras consequências disto - se tornando os primeiros "ficantes" dos filhos/as e, possivelmente, ensinando-os a formarem vínculos nesta modalidade.

Texto revisto:



A Psicologia diz que os relacionamentos humanos adultos costumam reproduzir os modelos relacionais aprendidos na infância: seja o modelo conjugal dos pais entre si, seja o modelo de relacionamento deles com a pessoa em questão.

          Considerando-se isto como verdadeiro, torna-se bem compreensível o surgimento da atual geração de "adolescentes e adultos ficantes".

          É que se muitos dos filhos/as de hoje, se já viviam longe do pai, com o novos modelos de conjugalidade e família e com a saída das mães para trabalhar, passaram a viver também longe da sua mãe.
O que faz com que estejam mergulhados no que chamamos  abandono doméstico” - que corresponde a viverem abandonados em suas próprias casas ou nas casas de outras pessoas, sem contato íntimo com seus progenitores, sempre ocupados com outras coisas. 

 Soma-se a isto o fato que estas são gerações de filhos/as traumatizados por inúmeras histórias de separações conjugais na geração anterior - o que para muitos significa: amar pode ser perigoso, melhor é ter relações superficiais, pois, se houver abandono, rejeição ou rompimento, o sofrimento será menor do que no caso de haver envolvimento e profundidade na relação.    

 Então, creio que o abandono doméstico mais o medo de amar e sofrer sejam os principais  ingredientes na formação psicológica dos ficantes

Deste modo, sem darem conta, as crianças desta geração podem estar indo para a vida adulta achando que "ficar" seja o normal entre os humanos pois não têm outro parâmetro de referência, reproduzindo na vida adulta exatamente  o que aprenderam em sua infância: ficar prá lá e prá cá, com um e com outro em vez de estabelecer vínculos estáveis e duradouros.

 O curioso é que estas relações de ficar são, paradoxalmente, relações de partir... sem culpa, sem afeto e sem satisfação. Apenas com o prazer fugaz de ter tido o mínimo de atenção disponibilizado pelo outro. Vasos de terra rasa com pouco espaço para o enraizamento da planta afetiva...

        E o que costuma ficar dessas relações é mesmo uma grande fome de amor e um grande vazio. Daí o enorme número atual de adeptos ao uso de drogas - tentativas de preenchimento do vazio deixado por um mundo afetivamente frustrante para toda uma geração de filhos\as que de certa forma são, desde sua tenra idade, ficantes de seus próprios pais e mães, que só os veem rapidamente e quando dá tempo.

Muitos pais e mães que trabalham fora justificam sua ausência da rotina dos filhos/as com o argumento de que precisam trabalhar, que a vida é dura, que o mercado de trabalho é exigente e que precisam de dinheiro para pagar as contas da família. Acredito que sim. 

Mas...será só isto??? Ou será que esta ausência também estaria calcada num sentido obtuso de mundo que prioriza o ter do que o ser e o estar??? 

 Educar dá trabalho, é cansativo, implica em renúncias, em lidar com o rame-rame da casa, com as dilemáticas relacionais e enfrentar o mundo doméstico - o qual muitos consideram perda de tempo e chatice - já que nem sempre tem o glamour da rua e do trabalho.         

       E não vai nisto nenhuma acusação aos pais e mães que - como eu - trabalham fora e estão sempre ocupados - mas, sim, um alerta para pensarmos para onde estamos caminhando com nossas escolhas e qual o impacto delas sobre a vida relacional de nossas filhos\as. Proponho nos perguntarmos que  modelo de relacionamento estaríamos   ensinando-lhes através do nosso modo de nos relacionarmos com eles.

Pois, o fato é que quando pai e mãe priorizam o trabalho, o dinheiro, o seu prazer pessoal e o seu sucesso, estão - sem quererem e sem terem consciência das duras consequências disto - se tornando os “primeiros ficantes dos filhos/as” e, possivelmente, ensinando-os a formarem vínculos nesta modalidade.

 


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Este texto pode ser reproduzido desde que se faça referência à autora e à fonte.
Modo de citação sugerido:
Ferreira, Valéria Giglio - Blog AMAR- EDUCAÇÃO CONJUGAL E FAMILIAR     

domingo, 18 de setembro de 2011

FIDELIDADE X INFIDELIDADE Parte 2

  Então, dizíamos que a infidelidade é uma forma de tentar manter uma relação a dois disfuncional apoiando-a sobre uma terceira pessoa e "triangulando" com ela. É algo como colocar um calço numa mesa bamba,  resgatando-lhe a estabilidade perdida ou  não consolidada.

    Porém, o problema de dar este tipo de "encaminhamento" para as dilemáticas matrimoniais é que, em geral, ele não resolve o problema conjugal subjacente e ainda cria outros adicionais.

    Numa reflexão clássica, a função social das/dos amantes é a de "estabilizar casamentos instáveis".

    Explicando: todo casal tem conflitos, porque, por mais que tenham afinidades, são duas pessoas diferentes e eventualmente discordam em algo de maior ou menor relevância. Estas diferenças precisariam ser confrontadas e negociadas dentro da parceria, em um acordo justo.

    Mas, este processo de confronto das diferenças considerando a  perspectiva de uma negociação justa implica em mudanças que, nem sempre, um ou ambos os cônjuges estão prontos ou dispostos a fazer.
    Então, marido e mulher vão "varrendo os conflitos para baixo do tapete" até que chega um momento em que o tapete conjugal está tão empoeirado que nenhum dos dois o suporta mais. Neste ponto, o nível de tensão no relacionamenrto  fica tão alto que um atrito mais sério ou disruptivo se torna iminente.

    Uma maneira de tentar abaixar o nível de tensão na relação a dois sem modificá-la, sem negociá-la  e sem rompê-la é jogar esta tensão numa terceira pessoa: a/o amante, que passa a ser usado/a como depositária/o do "lixo conjugal", ou seja, daquilo que o casal não consegue metabolizar a dois.

    E esta  costuma ser uma posição ilusória e cruel: o/a amante ilude-se com a fantasia de ter o/a parceiro/a do outro,  repetindo aí a fantasia infantil edipiana de casar-se com o pai ou com a mãe, ou seja, de tomar para si alguém já comprometido/a.

    Muito deste recurso de ter amantes remonta ao modelo de conjugalidade patriarcal, onde os homens eram ensinados que sua virilidade estava em jamais rejeitar sexo, fosse com quem fosse; e as mulheres eram ensinadas que a sua sexualidade só seria santa se fosse para fins procriativos. Um tremendo desencontro: eles tinham que ter sexo sempre e elas não podiam ter nunca. No bojo deste conceito de sexo como algo pecaminoso, as esposas acabavam "fazendo vista grossa" para a tercerização do "serviço".

    No limite extremo desta  leitura podemos dizer que o fato de os homens terem amantes, de trairem, fez quase que parte do modelo patriarcal de casamento e família. E que, de um modo ou de outro, cada um dos três "participantes" dava o seu encaixe para esta estrutura triangular.

   Desta ótica, observamos que a maioria dos homens que faziam uso deste expediente, o fazia sem a menor intenção de separar-se de sua esposa oficial. O terapeuta Frank Pittman, numa frase de impacto diz: "...a amante é uma empregada do casamento, quando ela quer passar de empregada à patroa é demitida!...".

   Reiteramos que  num caso de triangulação amorosa, cada um faz o seu papel: o/a cônjuge infiel o faz ao buscar uma solução para a problemática conjugal fora do casamento; a/o amante, ao entrar em uma relação já constituida - em geral buscando uma resolução edipiana tardia; e o/a cônjuge traido, ao permitir/aceitar a invasão em seu território. Cada qual, costumeiramente, tem motivos inconscientes para tal atitude.

   Então, numa história de infidelidade todos perdem algo valioso: o/a infiel perde seu senso de integridade, o/a traído perde seu território e o/a amante perde seu tempo numa relação sem expectativas reais.

   Mas, quem mais perde?  São os filhos/as que, impotentes e enredados nos desatinos de pai e mãe, ficam a mercê da perpetuação do sofrimento familiar.

Autora: Valéria Giglio Ferreira - Psicóloga


* "Fidelidade X Infidelidade"


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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Resssentimentos Conjugais e o Abandono do AmorONO DO AMOR


O casal precisa estar atento para não acumular ressentimentos.

Cada ressentimento guardado funciona como um tijolinho que, ao longo dos anos, pode formar uma parede e afastá-los.

Proporcionalmente ao aumento da ação corrosiva da raiva não elaborada, vão diminuindo no interior da relação, a intimidade e as afinidades do casal, pois, "quem congela a raiva congela o amor".

Isto se dá na seguinte ordem:

Primeiro, conforme a paredinha dos ressentimentos começa a se constituir, lá de baixo, marido e mulher vão deixando de ir juntos aos mesmos lugares. Neste momento, seus pés já estão separados pelos tijolinhos tóxicos do não-resolvido.

Depois, quando a parede da raiva atinge a altura da cintura dos cônjuges, a sexualidade do casal é gravemente afetada e ocorre uma acentuada diminuição da sua atividade sexual conjunta.

A seguir, se a parede continua subindo e alcança a altura dos ombros do casal, eles já não se abraçam, seus corações estão distantes e pouco se encontram. Neste ponto, a afetividade  encontra-se em franco desmoronamento.

Então, com a parede dos ressentimentos na linha do pescoço, em suas gargantas eles já "não engolem um ao outro" e estarem próximos passa a ser insuportável.



Com entulhos e resíduos de sofrimento afetivo na marca dos olhos, os olhares dos parceiros amorosos já não se cruzam, pois, ao se confrontarem, o que veem nos olhos um do outro é a dor acumulada nos anos e anos de problemas não-resolvidos. Evitam esse encontro que é ao mesmo tempo um encontro de olhos e de almas. 

Assim, quando o casal coleciona mágoas e feridas amorosas, a outra consequência é que com o passar do tempo, tendem a se enxergar mais através da distorção dos ressentimentos do que como as pessoas que realmente são. 

Surge uma distorção do "eu", tanto na maneira de se colocarem um frente ao outro, como de verem um ao outro. 

Uma vez que estas imagens distorcidas, se cristalizem será muito difícil dissolvê-las.

Neste momento, dizemos a relação a dois se cristalizou, ficou enrijecida, imobilizada e que a partir dali os conjugês e também os familiares tenderão a contabilizar muito mais - quando existem - os móveis e os imóveis, as aparências e a fachada do que o amor que então, já terá perdido sua cor, seu sentido e sua a vitalidade. 

Em tão inóspito território, a plantinha daquele romance cheio de expectativas, excitação e encanto tenderá a se esvanecer empalidecendo-se numa relação em preto e branco, transformando se até mesmo num livro contábil de afetos e desafetos no qual o que se soma são os documentos, registros em cartório, contratos pré e pós nupciais, bem como os papéis judiciais e sociais que sobraram do velho amor abandonado.


Finalmente, com o paredão das mágoas na altura da cabeça, as mentes dos cônjuges já não encontram mais as afinidades, sonhos e excitações que os uniram. 

Aspectos inconscientes, interferências familiares, guerras de desgaste e joguinhos de poder reflexos de alianças com um passado não revogado, terão engolido o relacionamento e a separação conjugal se torna iminente. 

Nesta cenário, a única movimentação observável é a de marido e mulher virando a face um para o outro, aberta ou encobertamente. 

O risco derradeiro para o casamento cujos problemas foram sendo continuamente acumulados debaixo do tapete de uma rotina diária mal administrada é o de que o casal se afaste mais e mais chegando a se perderem um do outro, temporaria ou definitivamente. 


E assim...através do muro erguido com cada um dos tijolinhos dos conflitos e ressentimentos não-elaborados e não-negociados lá se vai o potencial de felicidade contido naquela união de corpos e de almas.

Que pena! 

Mais uma relação que poderia ter sido diferente, que poderia ter sobrevivido às pressões sistêmicas, às infantilidades dos cônjuges, ao seu despreparo para a vida a dois e familiar.

Mais uma relação que se perde... e que poderia ter tido seu  curso guiado para o Caminho da Felicidade... 

Um curso que não é fácil, que é cheio de imprevistos, de dificuldades pessoais, de manobras familiares conscientes e inconscientes, mas, principalmente um curso para o qual os cônjuges precisam estar preparados e orientados, se quiserem alcançar a tão desejada paz e harmonia familiar. 

Portanto, cônjuges:

"NÃO ACUMULEM RESSENTIMENTOS, LIMPEM A RELAÇÃO SEMPRE QUE NECESSÁRIO. ISTO DÁ TRABALHO, MAS, É VITAL PARA A SAÚDE E VITALIDADE DA PARCERIA AMOROSA ! "


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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Separações por motivos fúteis podem ter um alto preço pessoal e para o sistema familiar.

As pessoas precisam começar a se acostumar com a idéia de se dedicarem e investirem no seu casamento.

A saúde conjugal requer um investimetno diário na relação a dois.

Se a relação esfria ou acumula conflitos, estes se transformam em distanciamento e enfraquecem o vínculo e a vontade dos cônjuges de estarem próximos um do outro.

Parceiros e parceiras precisam parar de achar que amar basta, que o seu grande amor e/ou sua grande paixão serão o bastante para fazer o casamento crescer e prosperar.

Sabemos que o amor é apenas o potencial, que precisa ser instrumentalizado e otimizado.

Marido e mulher precisam aprender a negociar conflitos e diferenças dentro da relação a dois, sem triangular com  filhos/as, familiares, amantes, amigos/as, trabalho, jogos de futebol, igreja, bebidas alcoólicas,etc.

Os consortes precisam renunciar à idéia nefasta - muitas vezes , presente antes mesmo de se casarem - de que "se não der certo, é só separar".

Não é "só separar".

Casar, tanto quanto, separar traz inúmeras consequências pessoais e familiares: psicológicas, emocionais,  patrimoniais, financeiras, etc., para todos/as os envolvidos direta ou indiretamente no sistema, especialmente, para os/as filhos/as e até mesmo para as gerações seguintes.

O recurso de separar-se e recasar-se é necessário e bem-vindo em muitas situações.

O que se discute aqui, não é "não-separar" e/ou  "não-recasar", é como este recurso está sendo feito e usado

Esta ideia nefasta e equivocada de que "é só separar" tira dos nubentes a consciência e a força necessárias à realização de tão grandioso projeto, afastando-os das soluções funcionais que impliquem em gasto de energia e determinação para atravessar os obstáculos naturais do processo de crescimento envolvidos na formação de casal e família.

Saber quando insistir com o casamento e quando desistir dele requer avaliação cuidadosa e amadurecimento das diversas e, muitas vezes, inconscientes questões presentes na escolha de um dos dois caminhos.

É preciso refletir até mesmo sobre a tentativa que alguns fazem de não fazer escolha alguma e "levar embolado" questão tão relevante.

Não escolher também é uma escolha e também tem consequências.

Toda escolha implica em uma renúncia, tem um ônus e um bônus.

O que não pode, é as pessoas negligenciarem o ônus, tanto de casar quanto de separar, casando e separando de modo irresponsável, fundamentando sua irresponsabilidade na ilusão de que separar é fácil e só traz vantagens, omitindo de si mesmas o alto preço envolvido nesta solução de conflitos conjugais e familiares, e depois, tendo que buscar entorpecentes e outras insanidades que dêem manutenção nesta sua ilusão. 

Separar tem um preço alto, casar tem um preço alto.

Ambas as escolhas podem conter em si potenciais destrutivos e/ou criativos. Quanto mais adequada a solução e a escolha do caminho, mais o seu potencial se manifestará de maneira destrutiva ou construtiva.  

A meu ver, de toda a grande confusão atual sobre os relacionamentos conjugais e familiares, a "separação fácil e ao alcance de todos" se coloca - como toda tentação que se preze - como solução simples para conflitos complexos.

Muitos/as, hoje em dia, alimentam a fantasiosa idéia de que "virar a página" será o bastante para se livrarem dos antigos problemas, e então, saem pelo mundo afora, formando instantaneamente novas parcerias.

Essas pessoas precisam se lembrar que para se construir a casa nova, a primeira medida é limpar o terreno, entretanto, elas insistem em construí-la sobre os escombros da velha casa derrubada e não percebem que esta atitude somente favorece o surgimento de novas rachaduras...  

Casamentos e separações sequenciais virou uma triste epidemia que assola muitas familias atuais: muitas uniões fúteis e muitas separações fúteis. Muitas feridas relacionais abertas ou ainda buscando cicatrização neste e, talvez, nas próximas gerações.

Diante de uma separação, as pessoas precisam - necessariamente - se perguntar onde elas próprias colaboraram para aquele desfecho. Se não fazem isto, tendem a repetí-lo.
 
Ao se divorciarem, os "ex" precisam ainda, ter em mente que "o casal conjugal até pode se separar, mas, o casal parental, não". Ambos seguirão juntos como pai e mãe das crias que a relação gerou e ao se separarem, não podem abandonar e/ou rejeitar os frutos da relação amorosa que acabou. A relação de ambos segue no nível da parentalidade.
 
Ex- cônjuges precisam estar atentos para que não sobrem da ruptura do ex-vínculo, além das dolorosas feridas relacionais, inúmeros filhos e filhas desamparados/as, sofrendo de abandono doméstico e se sentindo trocados pela busca desenfreada - e em parte inconsciente - de sucesso e prazer pessoal que dominam tantos pais e mães contemporâneos.


Nesta sofrida condição, esses filhos/as tendem  se tornar crianças e adultos ansiosos, descrentes do casamento, da família, das relações humanas e da vida; em geral, confiando mais nas drogas do que nas pessoas como fonte de amparo para as angústias e prazeres da  existência.

Então, muitas vezes, tanto para filhos/as de casais casados como de casais separados, as drogas são mais disponíveis do que pai e mãe, que estão sempre ausentes cuidando das suas coisas. Neste contexto, as drogas ganham muito terreno, porque oferecem mais, do tão pouco que muitos/as jovens tem da atenção e da disponibilidade relacional de pai e mãe.

Mas, via de regra, estes processos não são, sequer, conscientes. As pessoas não "se perdem" por querer; simplesmente as coisas vão acontecendo aleatoriamente à sua percepção das consequências.

Muitas pessoas, embora sejam excelentes indivíduos, sujeitos que querem acertar, não tem - e muitos/as também, nem querem ter - consciência das duras e sérias consequências das separações conjugais, principalmente das separações por motivos fúteis.

É preciso quebrar esta ciranda de casamentos e separações inconsequentes.

É preciso recuperar o sentido profundo, e até, sagrado de formar casal e família.



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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Psicologia e Política

POVO-GIGANTE-ADORMECIDO DESPERTANDO DO GRANDE SONO, SE APROPRIANDO DA SUA HISTÓRIA NO CAMINHO DA VIDA PLENA...

Política 1: "Mudança de mentalidade e de sentido de vida"

Acredito que mais do que a mudança deste ou daquele/a político, deputado, prefeito/a, presidente, etc, seja necessária uma mudança de mentalidade, uma mudança no jeito de encarar o sentido da vida, de modo que as pessoas eleitas consigam, depois que adquirem o poder, ter o mesmo pensamento e valores que tinham antes de adquirí-lo.  
Sem isto, é o que temos visto: inúmeros casos em que, uma vez eleitas, as pessoas se transfiguram e são absorvidas pelo sistema, passando a alimentá-lo num ciclo que já dura séculos e séculos. 
Não adianta mudar os atores/atrizes se os personagens e o script continuarem os mesmos: surge a repetição do antigo texto.
Faz-se necessária uma mudança maior: uma mudança de mentalidade e de sentido de vida. 
Mas,  precisamos ter em mente que resistência às mudanças fazem parte deste processo, porque as mudanças desacomodam quem se beneficiava da situação anterior. Quando surge a mudança há o levante da resistência a ela. Cabe a quem deseja a nova situação, firmar sua  posição e dar visibilidade e concretude às mudanças.

Política 2 - "Usando (mau-usando)  a fragilidade do povo sofrido"


É preciso lembrar que a população, em sua grande parte, vivencia situações de desamparo tão profundas, tão agudas e tão antigas que qualquer um/uma que acene com um estender de mão passa a ser visto como salvador, como protetor e que é desse desamparo que os predadores socias, também chamados "vampiros sociais" se alimentam.  
Existe ainda, em muita gente, uma falta de consciência sobre o valor e o peso da cada único voto para o conjunto da população. As pessoas, em geral, consideram seu voto como apenas mais um, e portanto, acreditam que se o venderem por uma cerveja ou por um bocado de ilusão, isto não fará mal ao conjunto da sociedade; ainda não perceberam que é justamente este mecanismo que elege muitos dos/as pilantras que estão por aí e que depois, serão os primeiros a sugá-los.

Política 3: "Mudando a auto-imagem de um povo"
 

Já se faz necessária a mudança de mentalidade dos brasileiros/as: de povo passivo (às vezes, muitos confundem povo pacífico com povo passivo) para povo pró-ativo, povo que acredita no resultado de sua ação. Mas, essa crença só vai ocorrer se as ações concretas começarem a dar resultados concretos.
Durante séculos e séculos, enquanto povo brasileiro, fomos associando indignação, injustiças e revolta com repressão, torturas, tudo terminar em pizza.
Então, o cérebro por uma questão de economia de energia vital, pula essa parte da reação e vai logo para a depressão.
Esta situação vai constituindo a baixa autoestima do povo brasileiro, que passou a interpretar que se tudo isto ocorre é porque o povo não vale nada. Precisamos desconstruir esse condicionamento básico da população.
Para isto, precisamos obter novas respostas práticas e emocionais para nossas atitudes sociais.
Conforme obtivermos resultados eficazes para nossas atitudes sociais, pouco-a-pouco, a auto-imagem do povo brasileiro tende a melhorar, assim como, sua autoestima, senso de valor, de respeito e de merecimento.


Política 4: "O doce conforto da ignorância"

Creio que depois de uma geração consciente, que abriu a estrada de um novo tempo, que questionou os valores patriarcais, regras e estruturas há séculos estabelecidas, mas, marcada pela re-ação da Ditadura Militar com suas torturas e perseguições políticas, surgiu uma geração com tendências à apatia e à alienação (vide uso de drogas), exatamente como convém ao poder estabelecido. 
Uma geração marcada pelo individualismo e pela busca do prazer imediato. 
Entretanto, isso não é bom, pois, em algum momento, a vida costuma apresentar a conta do doce conforto da ignorância e em algum momento a falta de consciência cobra o seu preço.

Política 5 - Evolução pessoal e social: abrindo mão do "benefício secundário" 

Todo processo de cura pessoal ou social passa pelo dilema: ficar com o sintoma e com o "benefício secundário" que o sintoma traz X sarar e abrir mão do "benefício secundário" adquirido através da disfunção. Vemos isto nas duas instâncias. Exemplos: 
Nível individual: sarar e perder os privilégios familiares advindos da situação de enferma/o X continuar enferma/o e preservar os privilégios familiares adquiridos através do sintoma. 
Nível social: previnir e melhorar as condições de tráfego, aumentando a consciência no trânsito, diminuindo as multas, e portanto, diminuindo o faturamento advindo delas X  melhorar o trânsito e abrir mão do faturamento vindo das multas. O que fazem atualmente, na maioria das cidades brasileiras é optarem pelas multas em detrimento das melhorias. 
considero a contra-mão do processo evolutivo! Então,  para melhorar o trânsito teriamos que eliminar o "benefício secundário" que sua ineficiência proporciona. 
Este é o dilema de muitos processos disfuncionais: "para abrir mão do sintoma, o sistema precisa estar disposto a abrir mão dos benefícios secundários que o sintoma gera". É um dos preços de evoluir, de se desenvolver.
 
 Política 6: "A arte da negociação das diferenças"

Creio que já seja hora de praticarmos a "arte da negociação das diferenças".
Quando isto ocorre, todos crescem porque agregam algo do pensamento do outro e o outro agrega algo do pensamento do um: sempre há pontos convergentes na medida em que partilhamos da mesma humanidade. 
Porém, para isto são necessárias a prática da humildade, acolhimento e abertura. 
Precisamos tentar, e assim, costuraremos um mesmo tecido social." 


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quarta-feira, 6 de abril de 2011

CAMPANHA: VAMOS VIVER COM MAIS CALMA. BASTA DE CORRERIA!


  1. CHEGA DE CORRERIA.
  2. BASTA DE EXPOR A VIDA POR CAUSA DA CORRERIA. 
  3. PRECISAMOS APRENDER A RENUNCIAR À AMBIÇÃO DESMEDIDA EM FAVOR DA VIDA E DA SAÚDE.  
  4. CHEGA DE RESPONDERMOS: "AH! ESTÁ TUDO BEM...NA CORRERIA!" SE ESTÁ NA CORRERIA, NÃO ESTÁ NADA BEM! NÃO FOMOS PROGRAMADOS PARA VIVER PERMANENTEMENTE  COM PRESSA. CORRERIA FAZ MAL À SAÚDE HUMANA.
  5. BASTA DE JUSTIFICARMOS O CORRE-CORRE COMO SE FOSSE INERENTE AO NOSSO DIA-A-DIA E CONTINUAR CORRENDO PRÁ LÁ E PRÁ CÁ, COMO SE ISSO FOSSE NORMAL. NÃO É NORMAL. NADA NA NATUREZA É ASSIM. 
  6. CHEGA DE ACORDARMOS CORRENDO, ASSUSTANDO O CORPO.
  7. CHEGA DE COMERMOS CORRENDO, ENGOLINDO A COMIDA, SOBRECARREGANDO O CORAÇÃO.
  8. CHEGA DE NAMORAR CORRENDO, AMAR CORRENDO, CONVERSAR CORRENDO, TRABALHAR CORRENDO, TELEFONAR CORRENDO, VIVER CORRENDO NUMA EPIDEMIA MUNDIAL DE ANSIEDADE. 
  9. BASTA DE NÃO TERMOS DISPONIBILIDADE DE TEMPO PARA QUEM AMAMOS.
  10. CHEGA DE ESTARMOS SEMPRE PRESSIONADOS, APRESSADOS/AS. PRESSA PARA CHEGAR AONDE???
  11. BASTA DE PASSARMOS POR CIMA DO DIREITO DOS OUTROS, DA ÉTICA E ALIVIAR A CONSCIÊNCIA DIZENDO A SI MESMO QUE A VIDA É ASSIM.
  12. CHEGA DE INDIVIDUALISMO.
  13. DE CADA UM QUERER FAZER TUDO O QUE QUER E ACHAR QUE ISSO É LEGÍTIMO, QUE AFINAL DE CONTAS, NÃO PODEMOS TER FRUSTRAÇÕES, NEM, REPRESSÕES.
  14. BASTA DESSA IDEOLOGIA CONSUMISTA QUE NOS DIZ QUE SÓ PODEMOS SER FELIZES ADQUIRINDO MAIS E MAIS COISAS, AFIRMANDO NOSSA POSIÇÃO SOCIAL.  
  15. CHEGA DE POUPARMOS OS INFRATORES E SACRIFICARMOS OS INOCENTES.
  16. DE ADIARMOS O IMPORTANTE.
  17. DE PERDERMOS O FOCO DANDO OUVIDOS ÀS TENTAÇÕES, NOS AFASTANDO DO SENTIDO E DO PROPÓSITO EXISTENCIAL DE CADA UM.
  18. DE TROCARMOS O ESSENCIAL PELO SUPÉRFLUO.
  19. DE BEBERMOS DEMAIS, CONSUMIRMOS DEMAIS, NOS ALIENARMOS DEMAIS.
  20. BASTA DE QUERERMOS PRAZER DEMAIS, SEM PERCEBERMOS QUE O QUE MANTÉM O PRAZER É O CONTROLE DO PRAZER. EXCESSO DE PRAZER NÃO É NORMAL: ISTO DESESTABILIZA O SÚTIL EQUILÍBRIO DA VIDA.
  21. CHEGA DE TANTAS SEPARAÇÕES CONJUGAIS DESNECESSÁRIAS E POR MOTIVOS FÚTEIS, DE TANTA INTOLERÂNCIA, DE RELACIONAMENTOS AMOROSOS MARCADOS PELA COMPETIÇÃO E NÃO PELA COOPERAÇÃO QUE OS PRESSUPÕE.
  22. CHEGA DE TANTOS DESATINOS RELACIONAIS, DE TANTAS RELAÇÕES LOUCAS.
  23. DE ACHARMOS QUE TEMOS DIREITO DE FAZER TUDO O QUE QUEREMOS. NÃO PODEMOS. NÃO SEMPRE.
  24. BASTA DE EXPORMOS A VIDA POR CAUSA DA CORRERIA, DA EUFORIA. PRECISAMOS NOS LEMBRAR DE NÃO NEGLIGENCIARMOS REGRAS E ÍTENS DE SEGURANÇA POR CAUSA DA PRESSA, LEMBRANDO-NOS QUE "O PERIGO FICA MAIS PERIGOSO QUANDO É NEGLIGENCIADO".
  25. CHEGA DE CORRERIA. 
  26. PELO RETORNO AO QUE É SIMPLES E CALMO.
  27. VAMOS DESACELERAR.
  28. VAMOS VIVER COM MAIS CALMA E SERMOS MAIS ZELOSOS COM AS VIDAS HUMANAS, REVENDO NOSSOS VALORES E O QUE REALMENTE NOS FAZ FELIZES.
  29. CORRERIA MEXE COM O SENTIDO DA VIDA. NA CORRERIA DEIXAMOS NOSSO LUGAR DE HUMANOS QUE NASCERAM PARA SER FELIZES PARA NOS TORNARMOS APENAS A PEÇA DE UMA MÁQUINA DE PRODUÇÃO EM LARGA ESCALA QUE NÃO PARA DE GIRAR. CHEGA DISTO! 
  30. PRECISAMOS RESGATAR NOSSO LUGAR PLANETÁRIO DE SERES DE LUZ...

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quarta-feira, 30 de março de 2011

"Quem tem tesouros, não os exibe" - Reflexões sobre a inveja


Primeiramente, quero dizer que a inveja é um sentimento humano. 

Um sentimento negativo, nada nobre, mas, humano.

Chega de querermos achar que só as pessoas más tem inveja. 

Uma vez que aceitemos a inveja como um sentimento, digamos, "natural", qualquer um de nós,  bom ou mal, em algum grau é passível de sentir ou ser objeto de inveja.

É preciso aceitar e desmistificar esse fenômeno interpessoal.

Precisamos reconhecer a inveja como uma ocorrência  própria das relações humanas - quaisquer que sejam elas -  aprendendo a lidar com a mesma. 

Quanto mais negada, mais a ela atua destrutivamente.
  
Na dinâmica da inveja,  observamos que as pessoas ditas "invejosas" querem algo que até poderiam ter,  se se empenhassem nisto.

Porém, o elemento complicador está no fato de que elas querem obter determinados resultados sem fazer o esforço devido. 

Sem entenderem, por exemplo, que em inúmeros desafios "para ter sucesso tem que ser metódico/a", renuciando a outras escolhas e mantendo o foco.  

Muitas pessoas desejam colher grandes frutos, sem antes: fortalecerem sua fé, buscarem uma luz para guiar o seu caminho, acordarem cedo, limparem o terreno do plantio, ararem a terra, selecionarem as sementes, renunciarem a aquilo que desvia o foco e o propósito de seus objetivos, serem metódicos/as ao cuidar da plantação, colocarem os adubos necessários, aguarem regularmente a terra, se submeterem às podas necessárias e terem a paciência de não arrancar os brotos novos, aguardando que eles cresçam no seu devido tempo até que chegue o momento da colheita. 

Acreditando que a natureza sempre faz a parte dela, desde que não a atrapalhemos com nosso ego cheio de vontades e impulsos contrários.

Mas, muita gente insiste em querer colher o que não plantou e ainda se dá o direito de invejar o alheio.

Por vezes, essas pessoas querem pular etapas do caminho do sucesso "facilitando-o". 

Não percebem que pular etapas - seja na área que for - poderá ter um efeito adverso sobre a vitória que buscam, deixando ainda para trás, resíduos de sofrimento e contas atrasadas com a vida. 

Alice Miller diz que: "...no fundo, o saudável é invejado...".*

Creio que o saudável seja invejado porque cumpriu o processo que leva ao amadurecimento natural dos frutos. 

E, então, sabe-se que são frutos saudáveis e que fazem bem a quem deles usufrui.

Mas...a inveja não se dá sobre o processo, ela se dá tão somente sobre o que dele floresce e frutifica.

Ninguém sente inveja das dificuldades que a pessoa passou, dos tombos que levou e nem, principalmente, de como se levantou perseverante na direção do seus propósitos,  muitas vezes, com o joelho ralado e a alma ferida. 

Disso ninguém tem inveja.

A inveja incide somente sobre o momento da colheita. 

Desta forma, vê-se que a inveja está por aí e não manda aviso quando quer se manifestar. 

Portanto, quanto mais conscientes estivermos de que a qualquer momento podemos sentir ou sermos objeto de inveja, melhor preparados estaremos para lidar com este fenômeno interpessoal e menores tendem a ser os seus efeitos nocivos: para nós e/ou para os outros.

Trabalhar com a inveja implica numa consciência clara a respeito das mazelas humanas: das maldades, das  rivalidades, da preguiça, do conformismo, da falta de iniciativa, da cobiça, das tentações.
 
É preciso perceber o mal para combatê-lo.

Uma boa maneira de trabalharmos com a nossa própria inveja é aceitá-la e transformá-la em admiração pela caminhada do outro. É algo como transformar  energia destrutiva em energia construtiva, evolutiva. 

Entretanto, trabalharmos com a inveja do outro/a requer mais...muito mais. 

Primeiramente, precisamos fortalecer a nossa Fé. 

Depois, sermos insistentes no Bem, e então, construirmos boas "defesas sociais", edificando aquilo que chamo de "boa imunidade espiritual, psicológica, física e social". 

Desse modo, se pudermos entender que a inveja é parte das relações humanas e que pode estar em qualquer um e em qualquer lugar, então, precisaremos estar atentos para não nos oferecermos como alvo fácil  para a sua maléfica descarga.

Não temos como controlar a inveja dos outros - até porque, nem sempre ela é voluntária ou consciente -  mas, podemos nos proteger adequadamente contra ela. 

Uma dica prática para esta proteção em nosso dia-a-dia é sermos discretos e reservados/as para com aquilo que é importante para nós, no estilo: "Quem tem tesouros, não os exibe!".



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segunda-feira, 14 de março de 2011

CAMPANHA " É MUITO BOM SER DONA-DE-CASA "

Por Valéria Giglio Ferreira - Psicóloga

Tenho observado, há anos, que as mulheres andam meio "de-mal " com os papéis de donas-de-casa.

Entendo que isto tenha a ver com toda uma luta feminina por espaço no mercado de trabalho, por igualdade de direitos em todas as áreas, mas, principalmente com toda uma geração de mães que, talvez de modo precipitado, concluiram que terem sido donas-de-casa havia sido péssimo negócio para si próprias e que não queriam isso para suas filhas.

Sim, porque como diz o ditado " o serviço de casa é aquele que só é visto quando não é feito". Um serviço que era - ou ainda é - desvalorizado e dado como obrigação feminina, juntamente com todas as outras "obrigações" ligadas ao mundo doméstico.

Creio que o que as mulheres perceberam é que se desgastavam para manterem a casa limpa e arrumada, as crianças cheirosas e educadas, a geladeira e a dispensa cheias de quitutes e guloseimas e, enquanto isto, os maridos prosperavam no mundo do trabalho e quando estavam no topo, substituiam seus "serviços domésticos" pelos de qualquer outra mulher que melhor-os seduzisse, em geral, mais nova e com quem eles iriam curtir os frutos daquele esforço conjunto com a antiga esposa.

Pois é! E não são incomuns os casos em que à primeira esposa coube o sacrifício e à segunda esposa o desfrute.

Indignadas com este processo, muitas mulheres decidiram que não iriam mais investir nas coisas do lar, muito menos se desgastarem com o rame-rame da casa, que queriam mesmo é se profissionalizarem e ganharem dinheiro, já que dinheiro é poder.

A fala geral é a de que : "não vale a pena, o tempo passa, a saúde vai e a casa fica".

O problema é que estas mesmas esposas e mães radicalizaram e ensinaram suas filhas a serem tudo, menos donas-de-casa.

Apregoaram direta ou indiretamente que elas fossem trabalhar fora, serem donas do seu nariz e que deixassem prá lá as coisas de casa.

Então, temos agora uma geração de mulheres fóbicas ao papel e às funções domésticas.

Elas não sabem e não querem saber nada das "artes do lar", como: cuidar da casa, do marido e dos filhos/as, fazer a comida, conduzir a limpeza, organizar armários, ajeitar a decoração, aromatizar o ambiente, regar as plantas, etc. Bordar e costurar, então, nem se fala!

Em muitas dessas mulheres nota-se um certo orgulho para com esse não-saber. Anunciam com a boca cheia que não sabem sequer fritar um ovo.

A meu ver, esta é uma fala muito triste, principalmente pela perda da rica experiência humana que lidar com mundo doméstico traz para cada pessoa, seja homem ou mulher...
Se pensarmos bem, há uma certa graça em varrer um empoeirado chão e percebermos que a cada deslizar da vassoura ele vai ficando limpinho, limpinho...

Há uma riqueza nisto...! A riqueza que vem do envolvimento com as coisas simples do dia-a-dia. 

Não estou sendo sexista e não excluo a capacidade masculina de desenvolver bem esses papéis.  Sabemos de inúmeros exemplos de homens muito hábeis nas tarefas domésticas.

Mas, talvez haja um potencial feminino "natural" para desempenhar com primor o papel do lar.

- NÃO SÓ A ELE, CLARO!!! 


Já provamos que podemos ser muito mais!

Quando digo isto, refiro-me ao fato de a  mulher tem dentro de si, de seu corpo e de seu útero o poder de ser casa para alguém durante nove meses e isto nos torna ligadas indelevelmente à esta função e a este prazer.

Neste caso, ela é realmente a "dona-da-casa" que gera o bebê durante todo o período gestacional.

Isto coloca a mamífera humana em condições potencialmente "naturais" -  até intuitivas - de saber como alimentar, aquecer, proteger, etc. um outro ser.

Negar esse poder e esse talento não tem tornado as mulheres mais felizes.

Renunciar a tudo isto por puro "preconceito" é inaceitável.

As perdas não compensam os ganhos.

O próprio movimento feminista de vanguarda já reconhece esses prejuizos e propõe revisões e resgates do jeitinho feminino que ficou para trás.

Acredito que temos que fazer o caminho de volta para nós mesmas, integrando energia feminina e masculina dentro de nós: chega de adotarmos os valores do mundo masculino e desmerecermos tudo que é feminino.

Precisamos valorizar nosso modo feminino de ver e viver a vida!

Então, a meu ver, não é ser ou não ser dona-de-casa, a questão é fechar seu leque de investimentos na vida e ser SÓ DONA-DE-CASA

E seria igualmente problemático ser somente qualquer outro papel, inclusive ser só uma profissional - ainda que de sucesso - pois, temos vários papéis a desenvolver na vida se quisermos alcançar a riqueza, a integralidade e a plenitude de nossa existência.

A questão está em quais outros papéis, além deste, cada mulher desenvolve em sua vida e como se coloca em cada um deles, especialmente em relação a si mesma, suas prioridades, seu propósito existencial.

É precioso lembrar que entre os prazeres e necessidades humanas, estão a troca de afeto e de carinho para com os outros seres vivos, o que muitas vezes, envolve cuidar de si, mas, também cuidar deste outro - seja ele marido, esposa, filhos/as, cachorro, gato,  tartaruga, plantas, etc.

Portanto, não se trata de a mulher rejeitar o papel de dona-de-casa e abrir mão de algo extremamente prazeroso e realizador para a maioria das fêmeas humanas, trata-se rever e evitar o modo como ela vai para o papel de dona-de-casa, evitando principalmente a antiga postura de ter no papel de abastecedora do outro o seu único papel e sentido de vida, porque, neste caso, quando não precisam mais dela, pelo óbvio, a dispensam.

Então, o propósito não é rejeitar e nem eliminar papéis pessoais, familiares ou sociais - não se pode tirar partes da vida -  o propósito  é a  mulher ampliar seus papéis alargando seus horizontes na direção de uma maior realização sua como pessoa, em cada uma das áreas da sua vida.

A questão é também de postura diante das coisas, de não mais colocar-se como aquela que permite ao outro explorá-la e depois descartá-la. É preciso colocar-se em postura de troca nas relações com o outro.

Trata-se também de as mulheres abrirem seu leque de opções, não só de seus objetivos profissionais, mas, de seu mais profundo sentido existencial - seja ele qual for - recuperando a sabedoria e a orientação de sua voz interior, de seu corpo a despeito do blá,blá, blá do mundo pós-patriarcal, da mídia.

Enquanto as mulheres adotarem a tábua de valores masculina como sua e medirem seu sucesso pessoal e suas metas por aquilo que representa sucesso para os homens -só para os patriarcais, diga-se de passagem, porque muitos homens também estão se revendo seu sentido de felicidade - eles de um modo ou de outro as estarão guiando, liderando e pior, submetendo: elas estarão submetidas aquilo que eles dão valor.

O caminho, a meu ver, é o resgate dos valores femininos a nortearem as condutas femininas. 



Não podemos nos guiar somente por aquilo que faz sentido aos homens apenas para mostrarmos a eles que somos capazes de competir e ganharmos deles: a guerra dos sexos é uma meta muito pobre e limitante.
 
Enfim, trata-se de das fêmeas humanas distinguirem o que é supérfluo do que é essencial, de buscarem a integralidade de seu ser e de se conduzirem de maneira mais auto-centrada e equilibrada em seus diversos papéis.

Creio que temos que fazer o caminho de volta para nós mesmas, integrando energia feminina e masculina dentro de nós. 


Chega de adotarmos os valores do mundo masculino e desmerecermos tudo que é feminino.

Precisamos urgentemente resgatar nosso modo feminino de ver e viver a vida dentro e fora de casa.

                                                 

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quarta-feira, 2 de março de 2011

Campanha Alegria Sim, Euforia Não.


                     
" ...A ALEGRIA DEVE PERMANECER ALEGRIA, NÃO DEVE SE TRANSFORMAR EM EUFORIA..." I Ching 

Obs.: A euforia é um estado perigoso
.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O "Processo de Perdão"


Esta é uma questão interessante...e importante.

A grande maioria das religiões e filosofias abordam este tema.

Observo que o que se diz sobre o perdão, em geral, vem assim:

"- É preciso perdoar!".

"- O perdão é curativo!".

"- Perdoar é divino!".

Mas, a reação da maioria das pessoas a essas falas costuma ser de conflito diante disto, pois, querem perdoar e não conseguem fazê-lo!

Então, além da raiva e do ressentimento que motivaram o conflito, têm agora uma outra dificuldade que é a de não conseguirem perdoar o/a opositor...e isto, num efeito dominó, aumenta a área dolorida do litígio.

Além do conflito humano, muitos passam a ter um conflito com Deus, sentindo-se maus por "não perdoarem o inimigo".

Em meu entendimento, observo que perdoar não é uma simples mágica interna que se faz e que no instante seguinte sobrevém o sentimento aliviante do perdão, da libertação.

Perdoar é um processo.

Considerando-se a premissa de que a vida é econômica e não dá experiências desnecessárias, penso que perdoar implica em entender a que veio a experiência com aquela pessoa e de que maneira a vida usou aquela pessoa como mestre para nos ensinar algo imprescindível ao nosso crescimento, à nossa evolução.

Lembro-me do ditado que diz que "muitas vezes, as pessoas que mais nos azucrinam, são nossos melhores mestres". 

Inúmeras vezes, sentimos que a intenção da pessoa foi boa; porém, em outras, sentimos que houve má intenção, ruindade, maldade e o objetivo de ferir e de trapacear.

Vale citar, a título de facilitar a digestão de certas injustiças e agressões, que "cada ser é limitado pelo seu nível de consciência"  e que "o plantio é livre, mas, a colheita é certa".

De todo modo, se nos lembrarmos que "tudo concorre para o bem daqueles que amam Deus", poderemos perceber que independentemente da intenção da pessoa, o resultado é que podemos crescer com ela.

Porém, para percebermos que podemos crescer com o que nos fizeram, precisamos nos dar a chance de reconstruirmos o significado dos acontecimentos.

Citando Sartre: " não importa o que fizeram conosco, mas o que fazemos com o que fizeram conosco".

E, se nos colocarmos atentos, percebemos que com o ocorrido, ainda que duramente, crescemos em algo fundamental para nós.

Assim, acredito que o processo de perdoar implica em assimilar a experiência passada, obtendo dela o entendimento do sentido de vida e crescimento pessoal nela contidos.

Somente quando entendemos onde crescemos com aquela pessoa e com aquela vivência, conseguimos perdoar.

É como o processo de digestão alimentar:

 - Engolimos a situação dada pela vida.
 - Digerimos o alimento que ela nos fornece.
 - Com maior ou menor dificuldade, assimilamos seus nutrientes.
 - Excretamos o que dele não nos serve mais.
 - Se o alimento é bom, imediatamente nos torna mais robustos.
   Se é tóxico para nós, precisamos reagir e nos instrumentalizar para não perecermos.
   Se o superamos, torna-mo-nos mais fortes e vigorosos a partir dali.

Algumas vezes, aquilo que não destrói, cria anti-corpos, fortalece.

Eu chamo a este conjunto de passos "O Processo de Perdão", concluindo que o mesmo tem várias etapas:

1) Aceitar a experiência dada pela vida.

2) Aceitar a alegria e a dor nela contidas; ou seja, aceitar a experiência inteira.

3) Aceitar e canalizar construtivamente a raiva, a frustração e a tristeza pelo que desagradou e/ou machucou, na situação referida.

4) Buscar o que e onde, no contexto específico de nosso desenvolvimento como indivíduos, aquela experiência gerou crescimento.
Buscar entender o que exatamente foi aprendido.

5) Aceitar que aquela experiência foi/é útil e necessária, apesar da dor e do desconforto.

6) Perceber que nenhuma outra pessoa ou contexto teriam a força de gerar este crescimento específico.

7) Acolher a pessoa que nos magoou, que abusou de nós, nos agrediu, frustrou, decepcionou, etc como um personagem fundamental de nossa história e de nossa evolução.

8) Agradecer-lhe pelo que de bom ele/ela nos proporcionou em termos de crescimento, pois, sempre existe um crescimento, seja com as experiências tristes e sofridas, seja nas prazerosas e alegres.

No limite, vale entendermos que existem pessoas más, "escravas da maldade", dominadas pela inveja e pelas rivalidades e que não podemos negligenciar este perigo, que precisamos saber nos proteger delas.

9) Perdoar.

10) Libertar-se.
 Desapegar-se do ocorrido, soltando o que não faz mais sentido e permitindo que se vá, abrindo espaço para a renovação de seu próprio ser.   

Assim, creio que só conseguimos perdoar quando assimilamos o que de bom a pessoa nos trouxe, numa atitude de consciente e, às vezes, resignado agradecimento.

Enquanto estivermos presos ao que foi ruim, numa cegueira obstinada e irada, sentindo-nos vítimas alheias aos acontecimentos, o portão do perdão tende a permanecer trancado.

Mas, quando transcendemos a dor e buscamos entender a que veio aquela vivência, em  que aquela oportunidade dada pela vida nos toca, isto confere crédito e sentido à experiência vivida, e então, abre-se a porta do perdão.

Creio que somente a partir do entendimento do que ficou de bom, daquilo que foi agregado para nós é que conseguimos perdoar nossos opositores/as, dando à experiencia com eles/elas uma conotação positiva.

Creio que somente a partir deste entendimento é que nos tornamos capazes de transformar nossos algozes em mestres. Mestres enviados pela vida para fomentar o nosso bem e gerar novas tomadas de consciência, tornando-nos pessoas melhores, mais cheias de luz.

Assim, creio que para perdoar é preciso, primeiro, acolher a experiência com nossos/as inimigos/as e encontrar a luz que ela nos traz. 




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