A Síndrome de "FILHO MARIDO"
Valéria Giglio Ferreira - Psicóloga e Educadora
www.amar.psc.br
Os maridos e pais patriarcais são fundamentalmente distantes do lar e do mundo doméstico.
As mulheres patriarcais são mulheres fundamentalmente carentes: de
afeto, companhia masculina e sexo; então, mergulhadas no distanciamento
do marido elas tendem a grudar nos filhos e filhas transformando-os no
que chamamos "filhos maridos".
Em geral, um dos filhos é o eleito para desempenhar este papel.
Normalmente, "filho marido" é um fenômeno psicológico direcionado aos
"filhos homens", mas, também encontramos "filhas marido",
principalmente, hoje em dia já que as mulheres trabalham, ganham seu
dinheiro e também podem fazer o papel de provedoras da mãe: sejam
provedoras financeiras ou de afeto.
"Filho marido" é um subproduto da dinâmica conjugal patriarcal.
O "filho marido" é aquele para quem o pai, em sua saída, diz: "...agora
você é o homenzinho da casa, cuida da sua mãe...", aquele que faz as
vezes do pai ausente protegendo a sua mãe, abastecendo-a em sua carência
afetiva, aquele que leva a sua mãe ao supermercado, que a leva para
fazer visita na casa da tia, etc., etc., mas, mais notadamente aquele
que se sente responsável por abrandar a carência da mãe em seu abandono
amoroso e sexual.
Dos filhos/as, é também aquele cujo
desenvolvimento psicossexual em sua forma adulta tenderá a estar mais
comprometido justamente pelo seu envolvimento nas lacunas deixadas pelo
casal parental, o que pode significar uma vida conjugal ausente ou de
baixa satisfação a dois - exatamente como a de seus pais. Muitas vezes,
são filhos\as que manterão inativo este aspecto da vida, justamente
fazendo frente à sua renúncia ao processo de amadurecimento psicossexual
que o\a levaria para longe da casa parental.
Uma triste
renúncia...Mas, não cheia de rancor para com seus irmãos\ãs que, apesar
dos apelos e dramas maternos, decidiram seguir a sua própria vida...
Em geral, a acusação feita aos irmãos é de que ficou com os pais. O que
é verdade por um lado , mas, oculta sua própria decisão de continuar
com os benefícios de não enfrentar a vida como um adulto\a.
Verificamos uma dependência recíproca: pai e mãe dependentes do filho
marido e filho marido dependente - econômica e afetivamente - dos seus
pais.
Enfrentar o mundo dos adultos não é para qualquer um.
De todo modo, prefiro pensar que esta renúncia seja sumariamente por
amor aos pais, por amor à mãe, mas, um amor perigoso para o seu
desenvolvimento e para a saúde psicológica do seu sistema familiar.
Assim, muitas filhas e filhos renunciam à sua vida pessoal em favor de
permanecerem nos papéis de "filhos ou filhas- marido" de mães
profundamente dominadoras e/ou carentes.
Observamos
frequentemente que quando os "filhos/as marido" tentam se desvencilhar
deste triste enredo, são defrontados com chantagens emocionais e
manipulações abertas ou encobertas, entrando em cena uma espécie de "mãe
medusa" que paralisa o seu próprio filho caso ele a confronte ou queira
escapar do seu lugar de dominado/a.
Não é fácil sair deste
papel...Muito menos sem que haja uma profunda consciência e desejo de
transformar esse cenário. Tudo começa no mundo interior. que exigirá
muita conscientização e força para lidar com um jogo familiar
inconsciente, cheio de armadilhas, rivalidades encobertas e até
vampirismo emocional.
Sim, o "filho marido" é fundamentalmente
usado: para aplacar as carências da sua mãe, para diminuir a inveja que,
muitas vezes, ela tem das outras mulheres que supõe mais realizadas, da
virilidade, do poder de ação e da liberdade dos homens.
Comum é o
fato de que a mãe do "filho marido" ao não dominar o próprio esposo
lance sua ira dominadora sobre seus filhos e as filhas: os filhos homens
para dominá-los - o que não fez com o marido - e as filhas mulheres
para que não venham a ter aquilo que ela própria não teve.
São processos em grande parte inconscientes.
Pobre "filho marido", eternamente divido entre a esposa e a mãe,
eternamente conflituado entre cuidar da sua mãe e do casamento dos pais
ou cuidar da sua própria vida!
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Valéria Giglio Ferreira - Psicóloga e Educadora
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