UMA GERAÇÃO, EM MUITAS FAMÍLIAS, MARCADA E TRAUMATIZADA PELO ABANDONO DOMÉSTICO INTRAFAMILIAR RECÍPROCO.
Então, sim, assistimos a uma geração que se apresenta, no palco do ciclo vital das famílias, da seguinte forma: pais idosos abandonados por filhos adultos que foram crianças abandonadas - dentro e fora de casa - , exatamente, por esses pais e mães que, hoje, ficam solitários, nas “creches” das 3ª e 4ª idades.
Sim, esses mesmos pais e mães que reivindicavam e impunham goela abaixo, o seu direito de serem felizes!
Tá. Mas, tudo tem um preço. Um dia a conta chega, pois, o preço da felicidade do casal parental - juntos ou divorciados -, não pode ser a infelicidade de seus filhos/as.
É… não existe felicidade sem responsabilidade!
Me incomodam essas postagens do tipo: uma geração de idosos abandonados pelos filhos!
O que me incomoda é esse recorte que tira o cenário desse triste filme, pois, ao abandonarem seus filhos, o vínculo de sobrevivência e reciprocidade entre progenitores e prole ficou fraco e danificado.
Essas gerações não aprenderam o princípio do trocar, do plantio e da colheita: de dar e receber em bases equilibradas.
Ninguém consegue colher aquilo que não plantou. Não é por vingança, não; é porque essa é aritmética da d. Vida, grande pedagoga!
O fato é que, nos anos 60, muitos pais e mães ficaram deslumbrados com as possibilidades de sucesso e prazer fora do lar - enfim tinham liberdade! - e seus filhos/as tornaram-se estorvos que atrapalhavam os excitantes planos esses infantis progenitores.
Tristes famílias equivocadas, idiotizadas e adoecidas pela busca vaidosa e hedonista de id - o prazer acima de tudo!
Abandonaram o instinto de proteção da prole, baseados em imbecilidades simplistas do tipo: “o mito do amor materno”. Ah, e será que existiria, então, o “mito do amor filial”? Não creio. Filhos só deixam de amar seus genitores, em condições extremas.
O buraco é muito mais embaixo! Existe toda uma complexidade, nas dinâmicas familiares.
Ideologias simplistas bestificam a população e produzem sintomas individuais, conjugais, familiares e coletivos de todos os tipos! Precisamos acordar desse pesadelo social!
Nesse ponto, não acredito na más intenções, penso mais na hipótese do modismo estúpido e irracional de valorizar amizades e futilidades em detrimento das próprias crias. Mas, isso vai contra o instinto de preservação da espécie.
E… um dia a vonta chega!
Relacionamentos são como plantas que precisam de espaço e amor para crescer… Não bastou a esses vínculos os presentes sem presença de quantidade e qualidade.
“É preciso reservar tempo para ter qualidade de vida relacional”, disse, Chantal Van Cutsem.
Em muitos lares, filhos/as são vistos como objetos que ficam pra lá e prá cá, e não como sujeitos existenciais. Nascendo, aí, as relações de ficar.
Enfim, o que temos para, hoje?
A tarefa, agora é quebrar esse triste ciclo.
Como? Perdoando esses pais e mães abandônicos e dando a eles, pelo menos um pouco, do carinho e da atenção que não deram.
Ah, e aprendendo a lição: filhos/as são dádivas do Senhor! Não basta por comida na mesa e pagar boletos, com mau bom ou humor! Tem que cuidar, proteger, educar, amar e libertar para que sigam seu caminho com uma semente de amor em seus corações…
Deus permita!
Vamos pensar nisso daqui para frente e mudar o curso da História?
Valéria Giglio Ferreira
Psicóloga e Psicoterapeuta Individual, de Casal e Familiar.